Poi bem, a história da vez é a que ele recusou a se apresentar em um show no interior do Alagoas por que recebeu menos que o combinado no contrato: Thalles fechou o show por R$65 mil e ao receber R$42 mil não subiu ao palco. Não vou entrar em detalhes, mas um link bom (e fora do meio 'gospel', o que faz do texto não-tendencioso e sensato) está aqui.
Vamos lá: primeiro vamos falar de um artista. O artista é um profissional como qualquer outro; ele estuda, se dedica, aprimora suas técnicas e é reconhecido por seu talento. A partir daí começa a fazer shows e mais shows, podendo ficar restrito a sua região ou quem sabe, explodir na grande mídia.
E por ser profissional, claro que antes de se apresentar existe um contrato, onde as cláusulas dizem exatamente todas as coisas combinadas, inclusive as exigências técnicas e artísticas, além do cachê. E se elas não foram cumpridas, o artista tem por direito a recusa da apresentação. É normal e embora o público fique chateado, já vi isso algumas vezes, por trabalhar e conviver com shows e espetáculos.
Agora vamos falar de um ministro de Deus: aquele que descobriu um chamado especial em sua vida para dedicar os seus dons musicais especialmente pra Deus. Esta pessoa dedica sua vida não aos grandes palcos, mas a sua congregação ou realizando visitas pelas igrejas. Geralmente estas pessoas nem recebem cachê e nem têm exigências: elas só querem compartilhar com a comunidade seus dons e vivem de ofertas que as igrejas ou pessoas bem intencionadas os apóiam, isso quando não tem uma segunda fonte de renda. Isso somado a família ou a comunidade ao qual o ministro faz parte, pode fazer dele uma pessoa com uma vida humilde ou confortável. Mas a simplicidade é marca dele.
Dito estas duas coisas, fica mais claro agora o nosso desequilíbrio em relação a arte, especialmente a música, não é mesmo?
Desde os anos 90, o tal movimento gospel ajudou muito a distorcer as coisas, colocando os tais ministros como mega-estrelas e simples reuniões como shows de arena. Não sou contra show, aliás. Só acredito que este movimento fez de muito ministro de Deus para a música celebridades que eles mesmos não estavam prontos pra virar. E como toda indústria, vem com sua linha de produtos como 'músicas prontas para tocar na igreja e na rádio gospel' ou 'movimentos de momento' como a adoração extravagante ou a moda do choro.
E isso atrapalha. E confunde. O Thalles, por exemplo, sempre o vi como um artista, não como um ministro, conforme separei acima. E só pra citar, já o vi em show de cidade bem pequena num palco tosco com direito a sorteio de pastel. Não custou R$60 mil reais esse evento, com certeza! E como artista, ele se comporta como tal, inclusive recusando a se apresentar caso o contrato não esteja ok. Mas o movimento gospel trata o artista (sem vocação pra ministro) que eles mesmos criaram em ministros de Deus que não são. Confuso pra burro, né? Mas é isso.
Aí o cara não se apresenta - e de longe concordo 100% com isso, afinal, creio que uma conversa e um parcelamento do restante resolvia o problema - e é taxado de mercenário e afins. Mas se fosse uma reunião cristã ao invés de um show gospel - e aí a culpa é de quem promoveu o evento como tal - qualquer outra pessoa poderia subir no palco e tocar, ao invés da tal marcha ao hotel do cantor, não concorda?
Esse episódio só mostra o quanto ainda estamos confusos e o tanto que esse tal movimento gospel tem atrapalhado o crescimento da música cristã de qualidade. Creio que é muito simples separar grupos musicais de igreja de artistas que podem ser cristãos mas não viver na agenda gospel de tocar em igrejas e show 'só pra crente' (e com a desculpa que é pra 'ganhar almas').
Creio que com um pouco de orientação de Deus, tanto na Bíblia quanto pela sabedoria do Espírito Santo que todo cristão tem direito e acesso, podemos evoluir e evitar que outros episódios como esse se repita.
Em tempo: Quem me conhece sabe que não tenho uma música do Thalles em meus dispositivos ou aparelho de som. O som dele não me contagia, embora reconheça a sua qualidade artística. Logo, não estou defendendo cantor nenhum, apenas o bom senso. Fonte: Blog Júnior Candido

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