terça-feira, 9 de setembro de 2014

O racionamento de água em São Paulo é inegável

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 CantareiraHá cerca de um mês, a dona de casa Gilcélia Matos toma seu banho diário antes das 6 da tarde. Seu marido não tem a mesma sorte: chega do serviço à meia-noite e é obrigado a esquentar a água deixada por sua esposa em um balde de plástico. Assim que o sol começa a se pôr no bairro de Parque Santa Rita, zona leste de São Paulo, a pressão da água das torneiras diminui consideravelmente. Ao contrário da maioria de seus vizinhos, Gilcélia não possui caixa d’água em casa, o que a impede de armazenar o recurso para os horários críticos.
A família Matos tem sido afetada por uma estratégia da Companhia de Saneamento Básico de São Paulo de reduzir a vazão noturna de água para o atendimento a alguns bairros da capital paulista. A medida corresponde a cerca de 20% da economia realizada pela Sabesp, que reduziu a produção de água do Sistema Cantareira, responsável pelo abastecimento de cerca de 9 milhões de paulistanos, de 31,9 mil litros por segundo para 19,7 mil litros. Antonio Carlos Zuffo, chefe do Departamento de Recursos Hídricos da Universidade de Campinas e responsável por um estudo realizado desde o ano passado em parceria com o Consórcio PCJ, grupo composto de prefeituras e empresas que fiscalizam os mananciais pertencentes ao Cantareira, afirma que a medida equivale a um racionamento, embora o governo e a empresa façam um esforço retórico para rejeitar o termo.
O Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor recebeu até o momento mais de 500 reclamações de paulistanos a respeito de problemas com abastecimento. No restante do estado, o rodízio de água, com interrupções que duram de quatro horas a dois dias seguidos, foi adotado por 18 municípios. À parte as agruras atuais, principalmente para os moradores da periferia, há o temor de um agravamento da situação no próximo ano, devido ao baixo índice pluviométrico estimado e à utilização do chamado volume morto dos reservatórios. A reserva de água de 464 bilhões de litros localizada abaixo das comportas das represas do Cantareira tem sido usada para cobrir o déficit.

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