Dono do Caranguejo do Porto diz que sua prisão foi ilegal e rebate: "o produto é meu, eu guardo onde quiser"

Da lama ao caos. A ideia da música do pernambucano Chico Science se materializou, no final de semana, com uma operação da Polícia Civil que identificou o percurso de caranguejos que abasteciam redes de restaurantes de Salvador: os animais eram trazidos do interior e levados para um depósito com precárias condições de higiene no bairro da Boca do Rio, orla da capital. Em entrevista ao Correio, Abson Silva considerou sua prisão ilegal e diz que deveria ser apenas punido no âmbito administrativo. “A casa está abandonada. Eu fiz um depositozinho para botar caranguejo no fundo. Guardar caranguejo não tem milagre. Caranguejo já se diz, é um mangue, é vivo. O produto é meu, eu guardo onde quiser. É o administrativo (Adab e Visa) que tem que me questionar”, afirmou. Ele contou que precisou pagar mais de R$ 7 mil para ser solto, no domingo. As equipes da Vigilância, da Adab e da polícia tiveram acesso ao local através de um mandado de busca e apreensão expedido pela Justiça baiana. Lá, a delegada dalina Moreira contou que houve uma tentativa de um funcionário de despistar a existência do cômodo onde foi improvisado uma câmara refrigerada. “Havia um muro, onde ficava uma espécie de canil. Depois de acessarmos o galpão, que parecia abandonado, o funcionário disse que nada mais havia após esse muro alto, onde ficava o cachorro. Ordenarmos a abertura. Foi aí que tivemos a surpresa”, disse Idalina. Além de caranguejos, no local havia em menor quantidade polvos e outros mariscos. Parte da mercadoria que estava lá na sexta-feira sumiu, o que pode causar a prisão preventiva do empresário. Notas fiscais em nome da Abson Pescados, nome da empresa, expedidas este ano, foram achadas no galpão. “São notas emitidas para outros estabelecimentos de nome em Salvador. Vamos nos certificar da autenticidade antes de buscar os envolvidos, já que o proprietário diz que essas notas são de uma empresa dele que faliu. Vamos apurar se há indícios de sonegação fiscal”, detalhou. A Adab vai apurar ainda a responsabilização do empresário pela falta da licença específica para transitar com os animais. Segundo a delegada, parte da mercadoria encontrada nos galpões e nos estabelecimentos foi destruída ontem mesmo.
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