Quando nós ouvimos a voz de um amigo, imediatamente o imaginamos, caso não possamos vê-lo. Pelo tom de sua voz, também podemos perceber prontamente se ele está feliz ou triste. Isso ocorre porque o cérebro humano possui uma região responsável pelo processamento da informação vocal, também conhecida como “área da voz”. Recentemente, cientistas utilizaram scanners cerebrais em um grupo de cães e descobriram que os cérebros desses animais também possuem áreas da voz. Essa descoberta, publicada pelo Portal Vira-Latas, elucida como os cães possuem precisão em perceber o estado emocional de seus próprios donos. O estudo - Pascal Belin, neurocientista da Universidade de Glasgow, Reino Unido, compôs parte da equipe que identificou as áreas da voz em cérebros humanos em 2000, através de um estudo em que utilizaram uma técnica não invasiva de processamento cerebral em primatas não humanos. Segundo a pesquisadora, isso permitiu extrapolar a técnica para o uso em cães mediante o treinamento desses animais para o posicionamento adequado no scanner. Estudos prévios já haviam demonstrado que os humanos podem distinguir bem entre latidos que manifestam tristeza ou alegria por parte de seus cachorros e sugerido que cães e humanos possuem uma similar “sensibilidade social” – “ficaríamos admirados se os cães também forem capazes de obter algum outro tipo de informação social das vozes humanas”, afirma Attila Andics, neurocientista em um grupo de pesquisa da Universidade de Budapeste e autor deste estudo.
Diferenças - Contudo, também existem diferenças. Os pesquisadores também descobriram que em cães, 48% das regiões cerebrais relacionadas à audição respondem mais fortemente a informações ambientais, como barulho de carros, por exemplo, do que a vozes. Já em humanos, em contraste, somente 3% das regiões cerebrais sensíveis ao som respondem melhor a sons não vocais, revelando o quão o córtex auditivo humano é fortemente adaptado aos sons vocais. “Em cachorros, isso é mais heterogêneo”, pondera Andics. Perspectivas - Os pesquisadores agora se encontram intrigados em explorar mais sobre como cães e humanos processam a informação emocional das vozes. Já foi possível confirmar através de estudo o que qualquer dono de um cachorro pode atestar: “os cães demonstram maior sensibilidade a um tom de voz”, segundo John Marzluff, biólogo da Universidade de Washington, Seattle. O mais interessante – Marzluff acrescenta – “é que esse estudo contesta nossa concepção de que o nosso cérebro é produto de um passado evolutivo distante.”
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