Campinas (Unicamp), no interior de São Paulo, inicia, na próxima segunda-feira, testes rápidos para detecção do vírus zika. O método é capaz de constatar a presença do vírus em amostras de sangue, saliva e urina, e o resultado sai em cinco horas. Inicialmente, as amostras serão recolhidas somente no Hospital das Clínicas de Campinas e encaminhadas à universidade para análise dos pesquisadores. Atualmente, o exame para detecção do vírus é realizado apenas em amostras de sangue, e o resultado leva, pelo menos, uma semana para ser divulgado. De acordo com a professora do Instituto de Biologia da Unicamp e coordenadora da pesquisa, Clarice Arns, embora o teste seja bastante preciso, ele só consegue detectar a presença do vírus durante a fase aguda da doença, ou seja, quando o paciente apresenta os sintomas evidentes da enfermidade. — Se o paciente estiver na fase aguda, em cinco horas nós temos a resposta. Com isso, você elimina outros diagnósticos, como gripe forte, dengue, chicungunha. Um diagnóstico preciso é sempre importante. Agora, se quisermos saber se esse paciente teve contato com o vírus e não apresenta sintomas nós temos que fazer os testes sorológicos, que ainda é um pouco demorado, leva uma semana. — explica Clarice. A pesquisadora explicou que o teste molecular já existia para a detecção de outros vírus e apenas sofreu modificações para ser capaz de identificar o zika. PUBLICIDADE — A notícia boa é que ele (zika) parece ter só tem um tipo, diferente da dengue, que são quatro. Então, nós temos que ter imunidade para os quatro. O zika vírus é mais estável, uma vez infectado você está imune. O teste é resultado do trabalho da força-tarefa criada no final do ano passado pela Universidade de São Paulo (USP) em parceria com a Unicamp e a Universidade Estadual Paulista (Unesp). Pesquisadores das três universidades têm trabalhado em conjunto para entender a atuação do vírus no organismo e suas possíveis consequências, como a microcefalia em bebês. De acordo com o último boletim divulgado pelo Ministério da Saúde, até o dia 30 de janeiro foram registrados 4.783 casos suspeitos de microcefalia no Brasil. No mês passado, o ministro da Saúde, Marcelo Castro, prometeu que o governo federal distribuirá, a partir de fevereiro, kits de um teste rápido capaz de identificar simultaneamente os vírus da dengue, chicungunha e zika em uma mesma amostra de sangue. O teste produzido pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) é, segundo o ministério, inédito no mundo e custará R$ 80.
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